MIXTAPE_BCD » Vol.1: Oh! Mussi

Há bem pouco tempo atrás era um pouco surreal falar de bass culture no Brasil. Havia um par de iniciativas esporádicas, alguns indivíduos com uma pesquisa extensa no gênero, mas faltava ainda algo básico pra tudo aquilo poder ser considerado de fato cultura: um público que estivesse vivendo aquilo tanto quanto os djs e a construção de uma cena menos polarizada. Isso levaria a novas pessoas entusiasmadas, que por sua vez levariam o legado das anteriores à frente. Essa é a noção de uma cultura que agora começa a tomar forma por aqui, com dezenas de pequenos coletivos que tem pontos de contato entre si e que trazem novos nomes aos holofotes.

Esse é o caso da paulistana/paraguaia Amanda Mussi, que tem estampado os flyers da Colab 011 (que inclusive tem mais uma edição nessa sexta, dia 1, na Trackers) como Oh! Mussi e faz parte do coletivo Metanol. Ela faz parte de uma nova safra que tem a cabeça aberta e empolgação pra fazer a cena virar cultura. 
A Mandy preparou uma mixtape pro BCD que mostra bem o seu jeito de pensar música e respondeu algumas perguntinhas:

Bell Clap Dance: Quando você começou a tocar e qual foi o momento que você pensou “essa parada de ser DJ está virando coisa séria”?
Oh!Mussi: Eu comecei a tocar em 2010. Mas foi só no final do ano passado que eu me dei conta que estava ficando sério. Foi quando entrei pro coletivo Metanol, começaram a rolar várias gigs, e fui sendo chamada cada vez mais para diversos tipos de eventos. Também percebi pelo feedback sobre as mixtapes que eu estava produzindo.
 
BCDVocê já frequentava festas de bass music antes?
O!M: Sim, minha história com bass music começou quando eu tinha 14 anos e saí do Paraguai vim morar no Brasil. Nessa época eu comecei a frequentar a extinta Lov_e nas noites de quinta que o Marky fazia. Me apaixonei por jungle e drum’n bass. Alguns anos depois comecei a frequentar festas de techno, e depois disso o dubstep chegou e suas vertentes foram se espalhando pela minha vida.
 
BCDO que você acha que mudou nessa cena de lá pra cá??
O!MAcho que hoje tem gêneros mais novos, obviamente, e mais variedade dentro de cada um. Acho que isso por um lado uniu os públicos de vários segmentos e por outro segregou os mais “radicais”. Em São Paulo mesmo você pode ver que existe mais de uma cena de bass music, mesmo se tratando de algo novo. Mas ao mesmo tempo eu vejo muita gente em nossas festas, de cenas que frenquentei no passado, como djs de techno, drum’n bass, produtores renomados, etc, tudo no mesmo lugar. Isso é muito legal.
 
BCDQuando você monta os seus sets, vc tenta ser abrangente também? Percebi que vc transita fácil entre o 4x4 e o ritmo quebrado…
O!MSim! com certeza, eu adoro misturar diferentes ritmos, fugir do óbvio e experimentar, de repente uma track tech-house com uma mais uk funky, porque acredito que muita coisa que toco é influência de tudo isso que citei que ouvia no passado, então certamente o antes e o depois combinam bastante.
 
BCDPra você quem é o símbolo dessa nova forma abrangente de pensar música?
O!M: Impossível citar um nome só… tem alguns, como a Mary Anne Hobbs, que apresenta um monte de artistas incríveis dessa nova geração. Com relação a produção musical admiro muito o SBTRKT, ele consegue unir elementos de soul e até pop com sua linha pós dubstep e ainda fica elegante. E não posso deixar de citar o Akin, fundador da Metanol FM e do coletivo. Ele com certeza é uma pessoa muito importante para o desenvolvimento dessa nova forma de pensar música por aqui.
 
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BCD: Como vc vê o seu papel como mulher no meio de uma cena que é predominantemente masculina?

O!MBom, mesmo sendo uma das poucas mulheres que fazem isso, eu me sinto completamente confortável no meu papel. Sempre fui tratada com respeito e apoiada no que faço. Quem me conhece um pouco sabe que sempre fui muito ligada à música. Não tenho medo de sofrer preconceito por conta de estereótipos e modinhas. Infelizmente as funções que exerço aparentemente ficaram “na moda”, sou designer gráfico, faço graffiti e também toco. Minha vida não tinha como ser diferente. Me sinto plena no que faço porque dentro de mim não conseguiria viver sem a música e a criatividade, é uma questão de realização pessoal e de amar o que faço. Não estou preocupada com glamour, fotos e status, estou preocupada em ser de verdade e levar meu trabalho com o máximo de dedicação.
 
BCDQuais são os próximos plano? Produzir? Dominar o mundo??
Oh!Mussi: Claro!!!! Atualmente estou aprendendo a produzir, quem sabe ainda este ano soltarei algumas tracks? Mas com certeza quero produzir meu próprio som, agora sinto que tenho mais maturidade em relação a repertório e pesquisa e me sinto pronta pra isso. Agora, dominar o mundo é muita responsabilidade, megalomania não faz muito o meu gênero (risos).
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